Leandro Fortes - no Faceblook 19/06/2013





As Organizações Globo, como se sabe, agora apoiam as manifestações do Movimento Passe Livre e as outras que se seguiram para protestar contra a inflação, a corrupção, a carestia, o aborto, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo, o amor entre iguais, o casamento gay, a caça as baleias, a mini saia, os médicos cubanos, o pastor Feliciano e o terrível hábito de certos elementos de peidar sob as cobertas.

Ocorre que como esse apoio foi tardio e, pior, inaugurado com um mea culpa patético de Arnaldo Jabor, o Bufão do Jardim Botânico, pouca gente se convenceu ainda da repentina paixão dos Willians (Bonner e Waak) pelas massas. 

Assim, tornou-se praticamente impossível aos repórteres da Globo comparecer aos protestos sem serem hostilizados pelos manifestantes. Até a tentativa de tirar os cubos com a identificação da emissora dos microfones se mostrou inútil. Sempre aparece um estraga-prazeres para gritar: "É da Globo!". 

O jeito foi inaugurar uma ampla e ostensiva cobertura aérea, na qual apreensivos repórteres metidos em voos noturnos de helicóptero ficam, lá do céu, apontando o inferno na terra. 

Engraçado é notar, ainda, que o apoio às manifestações acabou mudando o léxico das narrações. Antes, quando a linha editorial era, digamos, vitoriana, todos eram vândalos e desocupados. Agora que os protestos incluem as bandeiras do mensalão e da hiperinflação imaginária, quando localizam, lá do alto, os baderneiros quebrando vidraças e incendiando carros, os repórteres da Globo se referem a eles como "manifestantes mais violentos".

E a câmara volta para o rosto visivelmente contrafeito de William Bonner. 

A própria imagem da nação ultrajada.
Em sua terceira apresentação em solo pauloafonsino, as harmoniosas meninas do Clã Brasil se apresentarão no próximo dia 22 no Centro de Cultura Lindinalva Cabral com a certeza de encantar a todos com o que há de mais verdadeiro e autêntico no gênero forró. Com uma pegada forte, mas uma inebriante suavidade no manejo dos instrumentos, as quatro garotas apresentam o que há de mais legítimo no forró.
O Clã Brasil, além de extrair o máximo da originalidade do forró, discorre durante todo o show um amplo e variado repertório através do qual são apresentados clássicos deste gênero musical.
A banda Clã Brasil não deve, em hipótese alguma, ser ouvida como uma dessas bandinhas da moda que por falta de qualidade entopem o palco com bailarinas seminuas. A acuidade do som apresentado pelas meninas traduz o domínio que elas têm sobre os instrumentos e ratifica a angelical harmonia de suas vozes.
O show das paraibanas é, sem sombra de dúvidas, uma ótima opção para quem aprecia a originalidade do forró. Curtir e dançar o verdadeiro forró, não tem nada melhor.
Luis Fernando Veríssimo - O Estado de S.Paulo

Passei por uma loja que vendia roupa "plus size" para mulheres. Levei algum tempo para entender o que era "plus size". "Plus", em inglês, é mais. "Size é tamanho. Mais tamanho? Claro: era uma loja de roupas para mulheres grandes e gordas, ou com mais tamanho do que o normal. Só não entendi isto logo porque a loja não ficava em Miami ou em Nova York, ficava no Brasil. Não sei como seria uma versão em português do que ela oferecia, mas o "plus size" presumia 1) que a mulher grande ou gorda saberia que a loja era para ela, 2) que a mulher grande ou gorda se sentiria melhor sendo uma "plus size" do que o seu equivalente em brasileiro, e 3) que ninguém mais estranha que o inglês já seja quase a nossa primeira língua, pelo menos no comércio.


A invasão de americanismos no nosso cotidiano hoje é epidêmica, e chegou a uma espécie de ápice do ridículo quando "entrega" virou "delivery". Perdemos o último resquício de escrúpulo nacional quando a nossa pizza, em vez de entregue, passou a ser "delivered" na porta. Isto não é xenofobia nem anticolonialismo cultural americano primário, nem eu acho que se deva combater a invasão com legislação, como já foi proposto. O inglês, para muita gente, é a língua da modernidade. Todos queremos ser modernos e, nem que seja só na imaginação, um pouco americanos. E nada contra quem prefere ser "plus" a ser mais e ter "size" em vez de altura ou largura. Só é triste acompanhar esta entrega - ou devo dizer "delivery"? - de identidade de um país com vergonha da própria língua.
A oposição na Câmara Legislativa Municipal, apesar de já estarmos finalizando o primeiro semestre do ano, ainda não deu o ar da graça. O dolce far niente que hora vivem os vereadores “opositores “chega a ser, além de irritante, vergonhoso. A bancada não tem qualquer iniciativa, parece que vive eternamente esperando pelo ovo de Colombo. Falta aos sonolentos vereadores um espírito empreendedor e capacidade para cumprir a missão que lhes foi confiada.

Como se não bastasse tudo isso, os vereadores da oposição parecem não querer acatar as decisões dos seus líderes políticos, pois, não são raras as vezes que desacatam as decisões previamente acertadas.


Pode ser até uma profecia de Cassandra, mas pelo andar da carruagem a oposição segue a passos largos para a dissolvição. De acordo com a romancista cearense, Raquel de Queiroz, “cada coisa tem sua hora e cada hora o seu caminho,” o caminho e a hora da oposição apontam, invariavelmente, para um triste fim onde aos vencidos não resta senão resignar-se.
A sessão legislativa municipal do dia  três foi marcada pelo pugilismo verbal entre dois dos mais conspícuos representantes do que há de mais anacrônico na política. Na pauta do embate, um requerimento de autoria do vereador Antônio Alexandre (PL)  solicitando o retorno do Doutor Túlio ao exercício de suas atividades de medicina no PSF do BTN III.

Doutor Túlio tinha por hábito chegar ao local de trabalho antes do horário normal de expediente do funcionalismo o que, para o vereador Luiz Aureliano (PT), altera a rotina de funcionamento do PSF ainda que a atitude do médico seja uma prática simpática aos moradores daquele bairro.

Pautado pelo fisiologismo, que, aliás, sempre foi sua prática, Alexandre rebateu o colega de bancada argumentando que “deve prevalecer a vontade do povo.”

Na verdade deve prevalecer a vontade do médico pois, de acordo com o artigo 59 da CLT Consolidação das Leis Trabalhistas), a duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de duas, mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho.

Desta forma, um bom diálogo entre o médico e o gestor público definiria a questão de maneira diplomática sem ter, necessariamente, que passar pela inoportuna discussão legislativa através da qual dois vereadores buscam tirar proveito pessoal.



Hegemônico há mais de vinte anos na administração pública pauloafonsina, uma vez que desde que deixou de ser prefeito continuou a dar as cartas, Luís de Deus sempre conspirou com sua trupe ultradireitista contra a ascensão das classes populares. Durante sua administração, que se estendeu de janeiro de 1989 a dezembro de 1992, não foi implantado no município um único programa de expansão da cidadania social.

Recentemente em seu primeiro discurso no Congresso o deputado chafurdou na hipocrisia ao tentar macular os programas sociais do governo federal. O infeliz e elitista discurso do parlamentar ilustra muito bem o axioma do pensamento conservador e dominante da direita: Programas sociais que distribuem renda estimulam a vagabundagem.

Obviamente que não era de se esperar que o deputado fosse à tribuna fazer um discurso de benevolência e espírito solidário para com as ações do governo até porque o deputado nunca pautou seus argumentos no reconhecimento e na razão, mas tão e simplesmente na emoção que lhe cega a ponto de conspurcar os programas sociais do Governo Federal que hoje são copiados por outros países.

O maior legado do governo FHC ao governo Lula foi uma enorme desigualdade social, todavia, de acordo com o instituto Data Popular, os mais pobres, que eram 9,3% em 2002, tornaram-se 4,9% em 2010 e devem ser 2,7% em 2014. Tudo isso se dá, entre outros fatores, a programas sociais como o Bolsa Família que o “ilustre” deputado tenta desqualificar. 

É visceral o pensamento do deputado. Fica aqui um conselho para o parlamentar: no próximo discurso coloque na sua pauta de verborragia burguesa a desoneração dos impostos da cesta básica, a redução da taxa de luz e a destinação em 100% dos royalties do petróleo para a educação quem sabe assim, deputado, Vossa Excelência tenha do que falar e perca a alcunha de “deputado mudo.” Aliás, é preferível ser mudo a falar bobagens. 
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